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CNBB Regional Leste II –  ELEIÇÕES 2018

Inspirados no gesto profético do Papa Francisco ousamos dizer: “Ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião a uma intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (Evangelii Gaudium, 183).

PARTICIPAÇÃO DO CRISTÃO LEIGO NA POLÍTICA PARTIDÁRIA

Todo cristão leigo deve participar da construção de uma sociedade justa e solidária. Para isso é preciso engajar-se em associações de moradores, sindicatos, cooperativas, entidades beneficentes e partidos políticos que tenham como finalidade o bem comum. Se você optar por ficar “na sua”, deixando que tudo fique como está, estará aceitando a situação e colaborando com ela.

Enquanto instituição, a Igreja não faz política partidária. Ela não tem um partido próprio, nem adota um partido como seu. Porém, é seu dever incentivar o cristão leigo a se engajar e a participar da política partidária, levando aos partidos, e às ideologias que os sustentam, as riquezas e os valores do Evangelho.

É estranho que, na Igreja, tantos cristãos condenem os políticos de carreira, enquanto eles mesmos se recusam a buscar o poder, pelo voto, para colocá-lo a serviço do bem comum. Em alguns lugares os cristãos leigos estão tão acomodados e, não raro, omissos em relação à política, que padres são obrigados a substituí-los, assumindo assim uma tarefa que, em princípio, não lhes diz respeito, uma vez que são ministros da unidade, sem partidarismos.

Porém, quando o cristão leigo se candidatar para um cargo político, deve-se afastar do seu ofício eclesial durante o período da campanha eleitoral, por três motivos: para ter mais tempo para se dedicar à candidatura; para não correr o risco de usar do ofício em benefício próprio; e para não ser acusado pelos adversários políticos de estar se beneficiando dessa situação.

O cristão leigo deve fazer política de qualidade, buscando e defendendo o bem comum a partir do Evangelho. A sua fé deve iluminar a política, e não substituí-la ou demonizá-la.

O cristão leigo tem uma Boa Notícia, que é o Evangelho, para anunciar a todos. Por que não enriquecer a política com ela? Por isso, cristão leigo consciente faz política, sim, porque ele não se cansa de buscar o bem de todos. O mundo da política só tem a ganhar com a luz que receberá do Evangelho. O cristão leigo também deve denunciar a politicagem, por ser ela um pecado contra a pessoa humana e contra Deus.

NÃO CONFUNDA POLÍTICA COM POLITICAGEM

Política é a ciência e a arte de governar. Fazer política é participar da organização e da administração da vida comunitária.

Política é o uso legítimo do poder para alcançar o bem comum da sociedade; ela define os meios e a ética das relações sociais; é uma forma sublime de exercer a caridade; é uma das mais altas expressões do amor.

A política não é a busca do “poder pelo poder” e das regalias que ele pode trazer; não é usar e abusar do povo para se enriquecer; não é um meio legal de legitimar o autoritarismo; não é um jeito fácil de meter a mão no bolso do povo para encher o próprio bolso.

Todos fazem política. Ninguém vive sem participar do que acontece no dia-a-dia. Fazemos política, inclusive, quando “cruzamos os braços” e “ficamos de fora”. Quem se omite consente com a situação, aceitando-a como ela é. A política é necessária e não é “coisa suja”; sem ela, não teríamos como viver em sociedade. “Sujos” somos nós quando fazemos da política um “jeito” de roubar, explorar, oprimir, humilhar e empobrecer o povo.

Não devemos confundir política com politicagem. Política é fazer do poder um instrumento para alcançar o bem comum. Politicagem é usar o poder apenas em benefício próprio.

Somos todos seres políticos por natureza. Quando trabalhamos pelo bem comum, fazemos política; mas, quando só pensamos em nosso próprio bem, fazemos politicagem.

VOTE COM RESPONSABILIDADE

 Estamos nos aproximando das eleições gerais, que decidirão o futuro do nosso País e do nosso Estado. Não pense que o seu voto não é importante, que é apenas um voto a mais, que não resolverá nada, que tanto faz votar nesse ou naquele candidato! Seu voto é decisivo. Você é responsável pelo nosso futuro. Por isso, vote conscientemente, como bom cidadão.

Seu voto para escolher o Presidente da República, o Governador do Estado, os Senadores e os Deputados Federais e Estaduais é importante e decisivo para o futuro do nosso País, para que ele seja governado por pessoas que queiram o bem de todos. Não troque o seu voto por favorecimentos pessoais, benefícios materiais, promessas ilusórias! Não deixe de votar! Não anule o seu voto! Não vote em branco!

Procure escolher candidatos que tenham ficha limpa e não sejam corruptos, que sejam bons administradores, que respeitem a família, que valorizem a educação de qualidade, a liberdade religiosa, o lazer sadio e o melhor atendimento à saúde, que defendam a vida e sejam contra o aborto e as drogas, que promovam o cuidado da casa comum, respeitando o equilíbrio da natureza, que apresentem projetos viáveis para a digna mobilidade humana, que se comprometam com estratégias eficazes para a segurança e paz da sociedade e estimulem um desenvolvimento que gere oportunidades de trabalho para todos.

O futuro do nosso País e do nosso Estado está em suas mãos! Por isso, convido-o a refletir sobre cada uma dessas qualidades, a fim de que possa fazer uma boa escolha. Analise os candidatos, seu passado, seus projetos, suas características…

Não seja corrupto: não venda seu voto! Não corrompa o candidato perguntando o que ele vai lhe dar em troca do seu voto! Pense mais no bem da população do que no seu bem próprio! Você se beneficiará de um bom governo e de uma boa legislatura.

Você também é responsável por uma sociedade mais justa e solidária. Por isso, faça a sua parte e estará contribuindo para o bem de todos. Seja honesto e cumpridor dos seus deveres! Não se espelhe em maus exemplos de desonestidade, mesmo que sejam de pessoas ditas importantes! Faça o bem a todos, sem distinção, com amor e honestidade! Faça a sua parte e não espere pelos outros Assim o mundo, a começar de você, será melhor.

Fontes: Mensagens da CNBB e Estudos do NESP-BH