Reflexões

Parte 3: Desafios e perspectivas para a juventude

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A IGREJA E A JUVENTUDE 


Em muitas comunidades há grupos de jovens, ligados a diferentes iniciativas de evangelização da juventude: grupos de jovens da Pastoral da Juventude, Grupos de Oração do Ministério Jovem da Renovação Carismática Católica, Conferências Jovens da Sociedade São Vicente de Paulo. A criação desses grupos responde à necessidade de espaços específicos para a convivência juvenil, simultânea à vivência coletiva no conjunto da Igreja. E há muitos jovens que pertencem às comunidades, sem fazer parte de nenhum grupo juvenil em particular.

Jovens se aproximam da Igreja por diferentes caminhos: por tradição familiar; para ter acesso aos sacramentos; para ter contato com outros jovens; por influência de amigos; para encontrar opções de relacionamentos afetivos; para se divertir, de acordo com busca de sociabilidade, do lazer, da afetividade, tratados no item anterior. Na maioria das vezes, a adesão, o compromisso, a vinculação motivada pelo desejo de pertencer àquela comunidade de seguidores de Jesus em geral é um segundo passo, que depende fundamentalmente das relações estabelecidas após a aproximação inicial.

Poucos adultos compreendem as especificidades do ser jovem hoje, uma experiência inédita, única, bem diferente de quando viveram suas juventudes. É preciso ter humildade para aprender com os jovens. E estes precisam valorizar a trajetória das pessoas de outras gerações, estabelecendo um verdadeiro diálogo e aprendizado intergeracional. Um exemplo é a frequente ajuda que jovens prestam à Igreja no uso das novas tecnologias de comunicação e informação.

Também é importante buscar sempre uma coerência entre o que é dito e vivido pelos membros e lideranças da Igreja. A observação de falta de coerência, muitas vezes, leva a decepções e afastamentos dos jovens da vida religiosa, pois são muito sensíveis aos contratestemunhos da vivência religiosa.

Lidar com jovens exige deixar de lado práticas arraigadas, inflexibilidades, nas atitudes, horários e utilização dos espaços. Na busca de aproximação afetiva e efetiva, a Igreja precisa dirigir um olhar amoroso para a juventude, mais do que cobranças, criar confiança e cumplicidade, para aprender sua linguagem e compreender o que ela tem a dizer. Exige também inovação, outra abordagem metodológica, que privilegia as artes – a música, o teatro, a dança, por exemplo – como formas de expressão, de interação, de comunicação.

Outro desafio é dar espaço para que possam falar, se manifestar, agir. E escutá-los, de forma atenciosa, respeitosa. Assim será possível ler a Palavra de Deus na Palavra dos jovens e acolher com ternura as juventudes do jeito que elas são, com aquilo que elas trazem. E confiança nos jovens e em suas potencialidades, pois são os principais agentes evangelizadores de outros jovens, não alcançados pela ação direta da Igreja.

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