Novas tecnologias aproximam e distanciam, conectam e isolam. Se, antes, a Inteligência Artificial parecia algo distante, agora ela se faz cada vez mais presente, alterando nossa rotina e nossa percepção da realidade, e gerando questionamentos sobre o futuro. Vivemos um contexto social polarizado, onde crescem as desinformações e as fake news, atingindo, também de modo desastroso, membros mais atuantes das comunidades.
O contexto de mudanças rápidas contribui para o aumento do drama da pobreza e da desigualdade social. É perceptível a crise ética, a força da economia excludente e a prática política que “desencanta” a cidadania. A vida é ameaçada desde a sua concepção até o seu fim natural, a violência se multiplica em todos os âmbitos e o descaso com a Casa Comum, com os povos originários e com as populações tradicionais, bem como o racismo, a misoginia, o feminicídio, a homofobia, a aversão aos pobres e à pobreza, nos interpelam enquanto cristãos.
A indiferença em relação à paz, assim como a cultura do ódio, que gera o medo e causa a morte, nos desafiam diante do Evangelho. É nessa dinâmica que se enraízam os males que afligem o nosso mundo, a começar pelas guerras e pelos conflitos armados, bem como pela ilusão de que uma paz justa pode ser alcançada pela força das armas (DFS 54). “A paz é fruto da justiça” (Is 32,17).
O Sínodo de 2021-2024 destacou que nossa época é marcada pelo aumento das desigualdades, pela crescente desilusão com os modelos tradicionais de governo, pelo desencanto com o funcionamento da democracia, pelo aumento das tendências autocráticas e ditatoriais, pelo predomínio do modelo de mercado sem ter em conta a vulnerabilidade das pessoas e da criação e pela tentação de resolver os conflitos através da força e não do diálogo (DFS 47).
O desafio da educação é alarmante, pela falta de um projeto educativo que considere as humanidades. Precisamos não somente de novas motivações e razões para educar, mas de políticas educativas que não dependam de grupos, mercados ou projetos ideológicos. É urgente que educadores encontrem motivos para trabalhar e buscar projetos educativos mais empáticos e transformadores, em consonância com o Pacto Educativo Global.
(9ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).