“Como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo” (1Cor 12,12). Para São Paulo, a Igreja não é uma soma de comunidades, mas comunidades em comunhão (Rm 12,4-5). A Igreja Primitiva tinha consciência de ter recebido o mesmo Evangelho, de praticar um só Batismo e de celebrar em todo lugar a mesma Eucaristia, apesar da diversidade de ritos. Assim se expressava a comunhão entre os cristãos. Entendia-se que o fundamento da unidade da Igreja estava em Deus. Podemos dizer que a Igreja, com dimensões mundiais, se define como comunhão de Igrejas (AG 19) ou como o corpo das Igrejas (LG 23).
O termo ‘sínodo’ indica ‘caminho comum’, ‘percorrer juntos a mesma estrada’. Os cristãos, desde suas origens, usavam o termo para indicar a assembleia litúrgica e, sobretudo, a própria Igreja. A sinodalidade é a dimensão constitutiva da Igreja que implica a participação dos fiéis, por força de seu Batismo, na vida ativa da Igreja, na edificação do seu corpo. Significa que cada batizado, sendo membro da Igreja, sente-se participante na atuação do bem comum fundamental que é a comunhão, em vista da missão.
A missão na Igreja está tão intimamente ligada à comunhão, que se pode dizer que a finalidade da missão é, justamente, dar a conhecer a todos e fazer com que todos vivam a nova comunhão que, no Filho de Deus feito homem, entrou na história do mundo. Esta vida de comunhão dá à Igreja o rosto da sinodalidade, isto é, uma Igreja da escuta recíproca, onde cada um tem algo a aprender. A sinodalidade da Igreja é este caminhar juntos do Rebanho de Deus pelas sendas da história ao encontro de Cristo Senhor (PE 4).
Mesmo que apareçam divergências na comunidade eclesial, às vezes até necessárias, é indispensável manter uma comunhão autêntica, que se expressa no caminhar juntos, sem ressentimentos e sabendo um acolher o outro como membro da mesma família. A distinção deve nos unir e não nos separar.
(13ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).