As comunidades de fé representam, de certo modo, a Igreja visível estabelecida sobre a terra. Por isso, os fiéis da vida consagrada, os cristãos leigos de cada comunidade eclesial precisam se empenhar muito na evangelização e na pastoral. No entanto, nenhuma paróquia, comunidade, movimento ou pastoral pode ser considerada Igreja local em plenitude. Só a Diocese representa em si, perfeitamente, a Igreja visível estabelecida universalmente por Cristo, sempre em unidade com a Igreja presidida pelo Santo Padre.
A diocesaneidade, construída e sustentada na base de uma sólida espiritualidade de comunhão, alimenta nos batizados a consciência de pertença à comunidade diocesana, na qual o mistério da Igreja, enquanto sinal do Reino de Deus, se encarna, se realiza e se torna acessível. É força que supera o individualismo e a imposição de padrões e modelos uniformes que ignoram a história e o contexto nos quais cada comunidade eclesial se encontra, vive, celebra e testemunha sua fé. Trata-se de uma questão de fé ligada à apostolicidade da Igreja.
A unidade na pluralidade, no âmbito diocesano, mostra-se também no fato de que em cada diocese, enquanto porção do Povo de Deus, está toda a Igreja de Cristo. Essa expressão depende da unidade de cada diocese com as demais e com a Igreja de Roma, presidida pelo Papa. Não pode haver cristão, comunidade ou grupo que se denomine católico fora da comunhão com o Bispo e o Papa. Não se trata de mera concordância de ideias ou orientações, mas de uma paternidade espiritual própria da graça de ser-Igreja.
Ameaçam este senso de pertença das comunidades eclesiais à Igreja Local os diversos grupos que se organizam de forma fechada e sectária, baseados somente em experiências midiáticas, criando uma vida cristã paralela à diocese ou mesmo à paróquia. São propostas que preferem um caminho paralelo ao Magistério Eclesial e aos planos pastorais das dioceses.
(17ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).