“Os outros discípulos vieram com o barco, arrastando a rede com os peixes” (Jo 21,8). O primeiro sujeito da missão é a Igreja Local. Ela é a expressão visível do sujeito comunitário que é a Igreja, lugar onde se experimenta a vocação à salvação à qual somos chamados pelo Batismo. Ela exerce sua missão quando é capaz de configurar-se a uma Igreja Sinodal, uma orquestra de dons, na qual a variedade dos instrumentos é necessária para dar vida à beleza e à harmonia da música, no seio da qual a voz de cada fiel mantém os seus traços distintivos ao serviço da missão.
Num mundo fragmentado, com relações polarizadas que geram ódio e medo, é urgente que toda a comunidade cristã seja sinal de nova forma de se relacionar, na qual as diferenças sejam celebradas como dons e não sejam vistas como motivos de divisão e rejeição do outro. Recordando a imagem da tenda do encontro, seja a hospitalidade cultivada como prioridade. Como insistia o Papa Francisco, seja a Igreja um lugar para todos! Afinal, um relacionamento que não é construído com o coração é incapaz de superar a fragmentação do individualismo (DN 17).
Numa Igreja sinodal missionária, as comunidades serão capazes de enviar e apoiar pessoas em diferentes condições e estados de vida, estando principalmente a serviço da missão. Cada batizado responde às exigências da missão nos contextos em que vive e trabalha, com base nas suas próprias inclinações e capacidades, manifestando, assim, a liberdade do Espírito ao conceder os seus dons (DFS 58). Precisamos atender suas demandas para que a comunidade seja mais eclesial e samaritana.
A corresponsabilidade de todos os batizados fundamenta-se no sacerdócio comum dos fiéis, que, por sua vez, representa uma das ênfases próprias da eclesiologia do Concílio Vaticano II, que afirmou a identidade da Igreja como Povo de Deus. Neste povo, pelo Batismo, todos têm igual dignidade e participam do sacerdócio de Cristo, embora cada um seja chamado a uma forma específica de participação.
(20ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).