Na perspectiva da mútua cooperação e do zelo para com o serviço à Igreja deverão ser compreendidos, também, os ministérios laicais em nosso contexto brasileiro. A recente abertura que o Papa Francisco demonstrou em relação aos ministérios laicais (representada pela concessão do leitorado e do acolitato às mulheres e pela instituição do ministério de catequista) trouxe reconhecimento a serviços fundamentais em nossas comunidades e, por isso, foi recebido como grande dádiva. Faz-se necessário discernir caminhos para a implementação desses ministérios em nossas Igrejas Locais.
Há que se reconhecer que o clericalismo é um mal que está presente em nossas comunidades e afeta a todos, ainda que de forma distinta. O clericalismo se encontra entre os ministros ordenados e até entre cristãos leigos que esquecem a missão que fundamenta todo o agir discipular com seus respectivos serviços. A sinodalidade é um caminho de conversão que nos permitirá superar esse flagelo.
O caminho sinodal proporcionou um novo processo de valorização dos ministérios específicos, sejam os ministérios ordenados, sejam os ministérios laicais. Essa valorização se dá na medida em que a escuta das realidades das Igrejas locais, proposta pelas diferentes etapas do Sínodo, lança luzes à dinâmica de esperanças e desafios sobre o valor desses ministérios. A reflexão sobre eles suscita igualmente a preocupação a respeito da sua correta compreensão, a saber: como um serviço à comunidade eclesial, convocado pelo Espírito como dom à Igreja.
Um grande fruto do processo sinodal é o reconhecimento de que, na Igreja, não devem existir disputas por poder ou valorização de um ministério em detrimento do outro, mas uma disposição crescente ao caminho sinodal que não depende de uniformidade. Ao contrário, celebra as diferenças e o serviço que seu conjunto pode oferecer ao progresso de toda a comunidade no caminho único de Jesus e do Reino.
(29ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).