“Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de tantos, a rede não se rompeu” (Jo 21,11).
O recente Sínodo sobre a Sinodalidade, convocado pelo Papa Francisco em 2021, convidou a Igreja em todo o mundo a reforçar seu compromisso com a sinodalidade. O referido processo evidenciou a sinodalidade como condição para a missão da Igreja no mundo e no tempo atual e é por isso que a Igreja no Brasil atende a tal convite e firma seus compromissos sinodais, a começar pela dinâmica da escuta dialogal. O diálogo, que é condição para o exercício da sinodalidade em nossas comunidades eclesiais, não pode restringir-se aos nossos próprios círculos de identificação, de preferências, de opiniões e sequer de crenças. É preciso saber dialogar também com aqueles que professam uma fé diferente da nossa, certos de que a fraternidade é o primeiro sinal que expressa nossa comunhão enquanto seres humanos criados pelo mesmo Deus, chamados à mesma dignidade de vida e à vida eterna com Ele.
O Sínodo de 2021-2024 ofereceu para a Igreja a indicação de que a sinodalidade só é possível a partir de um profundo processo de conversão. Conversão é um movimento suscitado pelo Espírito Santo no coração do ser humano, ferido pelo pecado e necessitado de redenção. Toda conversão começa no coração humano! Ela, porém, não pode parar por aí. Precisa passar às ações e atitudes, expressões concretas de um coração convertido. A conversão pessoal ressoa na conversão das comunidades eclesiais. Se o pecado pessoal mancha com sua nódoa a Igreja, também a conversão pessoal contribui significativamente para uma progressiva identificação da comunidade com o desígnio de Deus.
(30ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).