As contínuas mudanças que ocorrem em nossa época, entretanto, produzem um fascínio que tanto fortalece quanto fragiliza a existência humana e a vida comunitária e social. Isso significa que não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos.
A Inteligência Artificial, que se faz muito presente no contexto da comunicação, está mudando as dinâmicas da sociedade global, influenciando comunicações, relações interpessoais e a própria organização da vida humana, alterando nossa rotina e gerando questionamentos sobre o futuro da tecnologia. Essa realidade certamente traz novas oportunidades. O desafio consiste em enfrentar a dependência excessiva da tecnologia, que pode limitar nossa capacidade de criar relações com quem está próximo de nós.
Por outro lado, urge evitar leituras catastróficas com efeitos paralisadores sobre tecnologias da comunicação. Se não analisarmos as nossas profundas resistências à mudança, como pessoas ou como sociedade, continuaremos a fazer o que fizemos noutras crises sem nos darmos conta das consequências. O progresso técnico, se bem ordenado ao serviço do homem, pode contribuir para a realização do plano de Deus (GS 36). É essencial cultivar a aprendizagem contínua e a adaptabilidade, mas sempre pautadas por uma conduta ética que a oriente para o bem comum e a fraternidade universal (LS 189). É imprescindível observar também a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) que tem como principal objetivo proteger os direitos fundamentais de liberdade e privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural.
Toda mídia e tecnologia há de ser uma ferramenta de serviço que não deve substituir a pessoa humana. De fato, o mundo corre o risco de ser rico em técnica e pobre em humanidade. O desafio será defender, no contexto tecnológico, a integridade do ser humano e do planeta, superando uma perspectiva meramente tecnicista. É preciso, então, manter em evidência os aspectos humanos da comunicação, que implicam a proximidade, o diálogo, o escutar e o falar com o coração, enfim, atitudes e iniciativas que ajudem a gerar comunhão e a construir a cultura do encontro.
(35ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).