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Adolescentes e Jovens

Adolescentes e Jovens

O Sínodo de 2021-2024 retomou o ensinamento do Sínodo sobre a Juventude (2018) e destacou que os jovens têm também um contributo a dar para a renovação sinodal da Igreja. Eles são particularmente sensíveis aos valores da fraternidade e da partilha, recusando atitudes paternalistas e autoritárias. São capazes de um compromisso pessoal por uma comunidade acolhedora e empenhada em lutar contra a injustiça social e pelo cuidado da Casa Comum (DFS 63).

Nossas comunidades eclesiais precisam dar maior abertura e espaço para que eles atuem com suas formas criativas de seguir Jesus em nosso tempo. Algumas comunidades envelheceram sem os jovens porque as portas foram fechadas ou resistiram às novidades que eles podem trazer ao seio da vida eclesial. O Papa Francisco nos recordou como é “triste ver jovens sem esperança; se bem que se torna inevitável viver o presente na melancolia e no tédio quando o futuro é incerto e impermeável aos sonhos, o estudo não oferece saída digna e a falta de emprego ou de um trabalho suficientemente estável corre o risco de suprimir os desejos. A ilusão das drogas, o risco da transgressão e a busca do efêmero criam nos jovens, mais do que nos outros, confusão e escondem-lhes a beleza e o sentido da vida, fazendo-os escorregar para os abismos escuros e impelindo-os a gestos autodestrutivos” (SNC 12). Todos esses elementos e os efeitos da epidemia de Covid-19 exigem da Igreja atenção e cuidado com a saúde mental de adolescentes e de jovens.

Com frequência, reclamamos dos métodos antigos de se fazer pastoral, afirmando que não respondem aos contextos atuais porque não atendem ao ritmo ou à linguagem com os quais as novas gerações estão já habituadas. “A pastoral juvenil, como estávamos acostumados a levá-la adiante, sofre o embate das mudanças sociais e culturais” (CV 202). Hoje, a maioria dos jovens dificilmente se sente atraída por esses esquemas pastorais. Mas temos, ainda, muita dificuldade de ouvir as novas gerações, que poderiam indicar o caminho para um autêntico anúncio em novos contextos. O universo digital e as redes sociais, que têm grande influência nos jovens, exigem de nós a busca de novas linguagens, como um caminho novo para levar a Boa Nova de Jesus ao coração das novas gerações.

A Igreja em seu conjunto fez uma escolha muito precisa: considerar esta missão uma prioridade pastoral histórica, na qual se deve investir tempo, energia e recursos. É urgente e privilegiar o testemunho, a linguagem da proximidade, do amor desinteressado, relacional, existencial, que toca a vida e desperta esperanças e desejos (CV 211). Faz-se necessário um serviço de animação vocacional mais consistente em nossas dioceses, paróquias e comunidades eclesiais, criando estruturas apropriadas para acompanhamento de nossos jovens. O acompanhamento pessoal a cada jovem é um caminho indispensável na evangelização, favorecendo o discernimento e a definição do projeto de vida, bem como a formação integral e processual.

(23ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).

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