Há, entretanto, quem prefira a pastoral de manutenção e dispense a missionariedade na pastoral e na evangelização. São aqueles que ficam satisfeitos com os seus grupos de convivência religiosa e até admitem que muitos ainda poderiam ser destinatários do anúncio, mas não encontram forças para ir além. Estão satisfeitos com a ilusão da Igreja cheia, fechando os olhos para a multidão que permanece de fora; sentem-se realizados com a pastoral organizada, com os festejos, eventos e liturgias, com as receitas financeiras suficientes. Há também os que se sentem cansados por assumirem tantas atividades e não dispõem de forças e tempo para a missão.
É estranha uma comunidade que se diz cristã e que se move apenas em direção ao seu próprio interior, buscando satisfazer somente as próprias necessidades, realizando apenas a pastoral de conservação (DAp 370). A vocação missionária que recebemos no batismo exige que sintamos a necessidade de partilhar o tesouro que encontramos. “Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).
Cristo nos impulsiona a ir ao encontro dos afastados da Igreja, daqueles que não se sentem pertencentes à família de Deus. Eles sempre estão batendo à nossa porta para batizar seus filhos, celebrar uma missa de sétimo dia ou para pedir uma bênção ou aconselhamento. Eles são os migrantes que nos buscam, os pobres que pedem ajuda, os injustiçados que clamam por direitos. Evangelizar exige, portanto, compromisso com o outro, a sociedade e o planeta. “Para que tenham vida em abundância” (Jo 10,10). Não se pode perder de vista que a missão é essência e identidade da Igreja (AG 2); ela é compreendida como eixo fundamental e chave para a conversão pastoral (EG 15).
(19ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).