A Igreja das origens diferenciou-se da cultura do tempo e confiava à mulher tarefas ligadas à evangelização. Disse João Paulo II: “Se o testemunho dos Apóstolos fundamenta a Igreja, o das mulheres contribui para alimentar a fé das comunidades cristãs” (CfL 49). Ele também exortou a reconhecer e promover o papel da mulher na sua missão evangelizadora e na vida da comunidade cristã (CfL 51).
O Sínodo de 2021-2024 destacou que, em virtude do Batismo, homens e mulheres gozam de igual dignidade no Povo de Deus, mas também constatou que as mulheres continuam a encontrar obstáculos para obter um reconhecimento mais pleno dos seus carismas, da sua vocação e do seu lugar nos vários setores da vida da Igreja, em detrimento do serviço à missão comum (DFS 60).
A presença das mulheres em diversos âmbitos na Igreja é um sinal de esperança, pois elas “constituem a maioria daqueles que frequentam as Igrejas e são frequentemente as primeiras testemunhas da fé nas famílias. São ativas na vida das pequenas comunidades cristãs e nas paróquias; dirigem escolas, hospitais e centros de acolhimento; lideram iniciativas de reconciliação e de promoção da dignidade humana e da justiça social. Elas contribuem para investigação teológica e estão presentes em posições de responsabilidade nas instituições ligadas à Igreja, nas Cúrias diocesanas e na Cúria Romana. Há mulheres que exercem cargos de autoridade ou são responsáveis pela comunidade” (DFS 60).
Todos nós reconhecemos a grande contribuição das mulheres à comunidade cristã no ministério da catequese. Mas também nos serviços de animação das comunidades, no anúncio da Palavra, a Igreja conta com a colaboração significativa das mulheres. Que a redescoberta e valorização dessa confiança sejam ocasião para que as mulheres percebam que a Igreja lhes tem confiado grande parte na missão evangelizadora. É importante garantir que as mulheres possam participar nos processos de decisão e assumir papeis de responsabilidade na pastoral e nos ministérios.
(24ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).