A comunhão depende também da comunicação. A Trindade Santíssima é plena comunicação da relação amorosa do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ela nos ensina que o amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. A mensagem cristã não pode ser apenas informativa, mas precisa ser performativa. Isto significa que o Evangelho, que é a revelação do Deus Amor à humanidade, não é apenas comunicação de realidades que se podem saber, mas uma comunicação que gera fatos e muda a vida.
Comunicar significa partilhar e a partilha exige a escuta e o acolhimento que leva ao diálogo, que nasce do esforço de escutar e de falar com o coração. Aliás, a escuta é o primeiro e indispensável ingrediente do diálogo e da boa comunicação. Nessa perspectiva, a evangelização aliada à comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim as relações humanas, também em meio às diferenças.
A missão evangelizadora da Igreja implica entrar nas culturas, dentre essas, a cultura produzida pelas tecnologias, que incluem os meios tradicionais de comunicação social e o ambiente digital. Há de considerar que, hoje, não se trata apenas de usar instrumentos de comunicação, mas de viver numa cultura amplamente digitalizada, que tem impactos extremamente profundos sobre a noção de tempo e de espaço, sobre a percepção de si, do próximo e do mundo, sobre a maneira de comunicar, aprender, obter informações, entrar em relação com os outros.
Precisamos estar conscientes da responsabilidade e do dever de colocar as tecnologias da comunicação a serviço da evangelização, do bem comum e da verdade, considerando que a nossa presença, especialmente no mundo digital, enquanto membros da Igreja, é sempre eclesial. De fato, a constatação de que as redes sociais facilitam iniciativas individuais na produção de conteúdo pode parecer uma oportunidade preciosa, mas pode representar um problema quando atividades individuais são levadas a cabo de maneira arbitrária, sem refletir a meta e visão geral da comunidade eclesial. A dissociação entre a comunicação nas redes e a missão que tem por origem o mandato missionário “Ide e fazei discípulos” (Mt 28,19), a partir do anúncio genuíno do Evangelho, gera confusão, introduz elementos estranhos à doutrina, fomenta críticas tensas que não edificam e dá margem para que opiniões pessoais prevaleçam sobre o ensinamento do Magistério e da doutrina da Igreja. Em vez de fortalecer o Corpo de Cristo, que é a Igreja, essas iniciativas têm causado conflitos, dúvidas e, em alguns casos, até mesmo decepção. Diante disso, é imprescindível que a comunicação institucional seja reta, fiel ao ensinamento da Igreja e esteja ao seu serviço.
(34ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).