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Pessoas com deficiência e pessoas idosas

Pessoas com deficiência e pessoas idosas

Cada comunidade eclesial é chamada a reconhecer as capacidades apostólicas das pessoas com deficiência como sujeitos ativos de evangelização. Sua contribuição provém da imensa riqueza de humanidade que trazem consigo. Reconhecemos as suas experiências de sofrimento, de marginalização, de discriminação, por vezes sofridas também no seio da comunidade cristã, devido a atitudes paternalistas de comiseração (DFS 63). Essas pessoas não trazem só limitações, mas, principalmente, outra forma de enxergar a realidade com enorme potencial. Precisam ser acolhidas, escutadas em suas demandas e possibilidades, e integradas na vida comunitária para o crescimento de todos.

A Igreja exerce sua voz profética também quando dedica especial respeito e reverência aos idosos. Num tempo em que os idosos são vistos como indivíduos que já não produzem tanto quanto os mais jovens, a Igreja os vê como guardiões da memória da fé, da tradição e da sabedoria adquirida pela experiência da vida. Nas famílias, os mais velhos são responsáveis por garantir a união dos mais jovens e por transmitir a fé e os valores, herdados de seus antepassados, vividos de modo fervoroso, reverente e tradicional.

Em nossas comunidades, ao lado do desafio de falar às novas gerações, está também o desafio de dar lugar aos que outrora dedicaram sua juventude à Igreja. É verdade que muitas de nossas comunidades estão envelhecidas, mas também é verdade que a Igreja é o que restou a muitos avós que já criaram seus filhos e netos, que já ofereceram sua contribuição à sociedade e que encontram na Igreja o lugar de acolhimento onde podem continuar a oferecer alguma contribuição que os faça ainda sentirem-se relevantes, especialmente no campo da memória e da transmissão da fé. A Igreja não pode reproduzir para com eles a cultura do descarte que caracteriza a sociedade contemporânea. O cuidado para com os idosos é uma forma de reverenciar a fé e a memória dos que nos precederam, entender-nos como membros de uma Igreja que tem história, e valorizar os que outrora sustentaram nossas comunidades.

(25ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).

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