A Igreja precisa valorizar a família como dom de Deus e compromisso humano no plano do Criador. Em particular, nos últimos anos, cresceu a consciência de que as famílias são sujeitos e não apenas destinatárias da pastoral familiar. Por isso, elas têm necessidade de se encontrar e de estar em rede, também graças às instituições eclesiais dedicadas à educação das crianças e dos jovens. O Sínodo de 2021-2024 exprimiu sua proximidade e seu apoio aos que vivem a condição de solidão como escolha de fidelidade à tradição e ao magistério da Igreja em matéria matrimonial e de ética sexual, que é uma fonte de vida (DFS 64).
Papa Francisco destacou que é no seio da família que se vive a riqueza das relações entre pessoas unidas na sua diversidade de caráter, sexo, idade e função. As famílias são um lugar privilegiado para aprender e experimentar as práticas essenciais de uma Igreja sinodal. Apesar das fraturas e dos sofrimentos que as famílias experimentam, continuam a ser lugar onde se aprende a compartilhar o dom do amor, da confiança, do perdão, da reconciliação e da compreensão. Por isso, as novas configurações familiares devem ser acolhidas como lugares a partir dos quais esses vínculos evangélicos podem ser aprendidos, experimentados e, então, anunciados (AL 296-300). Na família aprendemos que temos a mesma dignidade, que somos criados para a reciprocidade, que temos necessidade de ser ouvidos e que somos capazes de escutar, de discernir e decidir juntos, de aceitar e exercitar uma autoridade animada pela caridade, de sermos corresponsáveis e de prestarmos contas dos nossos atos (DN 17).
As famílias precisam ser encorajadas à missão de transmitir a vida, mesmo diante de uma sociedade com ritmos frenéticos, de receio quanto ao futuro, da falta de garantias de trabalho e de adequada proteção social, de modelos sociais ditados mais pela procura do lucro do que pelo cuidado das relações humanas. “A abertura à vida, com uma maternidade e uma paternidade responsáveis, é o projeto que o Criador inscreveu no coração e no corpo dos homens e das mulheres, uma missão que o Senhor confia aos cônjuges e ao seu amor” (SNC 7). Nossa Evangelização precisa também promover mais a vocação matrimonial e suscitar nos casais jovens o desejo de gerar filhos como fruto da fecundidade do seu amor e sinal de grande esperança para a humanidade.
(26ª parte da sequência de artigos sobre a “Ação Evangelizadora da Igreja” | Fonte: Instrumentum Laboris 2 das DGAE 2025).