Encontro reuniu sociedade civil, poder público, universidade e Igreja para ouvir histórias, apresentar pesquisa e propor caminhos para políticas públicas.
Na manhã desta quarta-feira (29), o auditório da Fadivale, em Governador Valadares (MG), foi palco de um importante momento de escuta e construção coletiva. O Fórum de Debates sobre a população em situação de rua reuniu representantes da sociedade civil, do poder público, da universidade e da Igreja, além de pessoas que vivem ou já viveram essa realidade.
O encontro teve como base uma pesquisa coordenada pela professora Sueli Siqueira, da Univale, que buscou não apenas levantar dados, mas compreender as motivações e necessidades das pessoas em situação de rua. Segundo a pesquisadora, ouvir quem vive essa realidade é essencial para a construção de políticas eficazes.
“Todo tipo de programa social precisa ouvir a quem ele se destina. Não se trata apenas de oferecer soluções prontas, mas de compreender o que essas pessoas realmente precisam para superar essa situação”, destacou.
Além da apresentação dos dados, o fórum também abriu espaço para testemunhos. Um dos momentos marcantes foi a fala de Alessandra Martins, que viveu nas ruas de Belo Horizonte por 18 anos, e compartilhou sua trajetória de superação. Hoje, estudante de enfermagem, mãe de família e atuante junto a pessoas em situação de rua, ela reforçou que é possível reconstruir a vida com apoio e oportunidades.
Para o bispo da Diocese de Governador Valadares, Dom Antônio Carlos Félix, o encontro representa um passo importante na busca por soluções concretas.
“É motivo de muita alegria, porque reúne diversos setores da sociedade para pensar propostas que possam ajudar o município a elaborar políticas públicas específicas, como moradia, capacitação profissional e atendimento na área da saúde”, afirmou.
Ele também ressaltou a importância da participação ativa das próprias pessoas em situação de rua no processo. “Não estamos pensando soluções para eles, mas a partir deles. Eles tiveram a oportunidade de falar e continuam participando da construção dessas propostas”, completou.
A coordenadora da Pastoral Nacional da População de Rua, Irmã Maria Cristina Bove, destacou a importância da união entre diferentes setores e do protagonismo dessas pessoas. “O fenômeno da população de rua é complexo e exige o envolvimento de todos. E o mais importante é que eles participem, dizendo o que precisam. O primeiro clamor é por respeito e dignidade”, pontuou.
O fórum também contou com momentos de partilha em grupos, onde foram levantadas demandas e propostas nas áreas de trabalho, saúde, habitação e educação. A iniciativa busca contribuir para a construção de políticas públicas mais eficazes e humanizadas, a partir da escuta e do diálogo com quem vive essa realidade no dia a dia.
Lízia Costa – Jornalista/Pascom Diocesana